
Quinta-feira, Agosto 28, 2008
ostracismo
1.
fecho a carapaça
esconderijo móvel
e imóvel permaneço
preciso ser só
neste dia
este meu gesto
de morte
de renascimento
e rebeldia
sidnei olivio
Comente: :: enviado por SIDNEI OLÍVIO - 4:33 PM
Terça-feira, Agosto 26, 2008
aprendiz do futuro
recomponho no presente
os arrependimentos do passado.
a vida é um (eterno) rascunho!
sidnei olivio
Comente: :: enviado por SIDNEI OLÍVIO - 3:02 PM
Sexta-feira, Agosto 15, 2008
Você me cheirou feito um animal,
fechou os olhos, salivou o desejo,
mas era apenas a aprovação do novo perfume
e não eu feromonizando as suas narinas no cio.
sidnei olivio
fechou os olhos, salivou o desejo,
mas era apenas a aprovação do novo perfume
e não eu feromonizando as suas narinas no cio.
sidnei olivio
Comente: :: enviado por SIDNEI OLÍVIO - 11:34 AM
Quinta-feira, Agosto 07, 2008
Criacionismo
Quem pode medir a vida
pela regra da ciência?
Quem, senão em onisciência
inventou a própria lida
e deu graças e guarida
ao todo que movimenta
o mundo que se elementa:
terra, fogo, água e ar
tempo-espaço pra sonhar
a perfeição adquirida?
Quem pode medir o tempo
pela régua do destino?
Quem, senão o autor divino
Pai das águas e do vento
criador do firmamento...
Fabricante genuíno
de um sistema pequenino
que rege todo o universo
cantado em prosa e verso
chamado renascimento?
Sidnei Olivio
Comente: :: enviado por SIDNEI OLÍVIO - 11:11 AM
Quarta-feira, Junho 18, 2008
ômega adverso
um peixe dois peixes (?)
no contraste de fase da lâmina fina
fio de água fria
rio abaixo rio acima
um peixe dois peixes (!)
que se entreolham/cruzam
sem química no leito físico
de água líquida
rio abaixo rio acima
um peixe dois peixes (...)
um destino dois caminhos
foz nascente nascente foz
rio abaixo rio acima
alfa sem beta
ou vice ou versa
sidnei olivio
um peixe dois peixes (?)
no contraste de fase da lâmina fina
fio de água fria
rio abaixo rio acima
um peixe dois peixes (!)
que se entreolham/cruzam
sem química no leito físico
de água líquida
rio abaixo rio acima
um peixe dois peixes (...)
um destino dois caminhos
foz nascente nascente foz
rio abaixo rio acima
alfa sem beta
ou vice ou versa
sidnei olivio
Comente: :: enviado por SIDNEI OLÍVIO - 8:37 PM
Segunda-feira, Abril 28, 2008
particularidades
todas as partículas atraem todas as partículas
com uma força que depende das partículas
e da distância entre as partículas
(particularidades entre Newton
e a mação...)
sidnei olivio
Comente: :: enviado por SIDNEI OLÍVIO - 10:32 AM
Quinta-feira, Abril 24, 2008
ESPÉCIE DE VEADO
O alce brame
sem nenhuma fama:
tem chifres palmados
sidnei olivio
(O alce (Alces alces) é um cervídeo, que habita as regiões do Norte da Europa e América do Norte. É o maior dos cervídeos (com cerca de 2 metros de altura e 500 kg de peso) e distingue-se dos restantes membros da família através do tipo particular de galhadas. Estas, que podem atingir 1,60 m de amplitude, são exclusivas dos machos, têm uma secção cilíndrica e um formato de taça. É um animal típico das regiões circunpolares. Seus pelos longos, ao contrário do que muitos possam pensar, serve para amenizar a temperatura corpórea no verão. Ele costuma viver por cerca de 80 anos.)
Comente: :: enviado por SIDNEI OLÍVIO - 1:39 PM
Terça-feira, Março 18, 2008
trama alimentar
a semente germina
magicamente
resgata do chão
a vida decomposta
e se posta altiva
auto produtiva
numa verde plantação
mas suas espigas arranca
com incisivos cortantes
um roedor incauto
saciando o desejo
da fome constante
sem perceber
que à dois metros distante
um ofídio espreita
a cumprir seu ofício
de carnívoro voraz
mas rastejando de volta
farto e satisfeito
não observa do alto
em asas montado
rapinante predador
que retornando ao ninho
com a presa nas garras
devolverá à terra
em seu devido tempo
o elemento preciso
à um outro vegetal.
sidnei olivio
Comente: :: enviado por SIDNEI OLÍVIO - 10:07 AM
Terça-feira, Março 11, 2008
CUCULIFORME
O cuco cucula
tictac-ando incerto
as horas certas
sidnei olivio
Comente: :: enviado por SIDNEI OLÍVIO - 4:36 PM
Terça-feira, Fevereiro 19, 2008
Quadras de morte e vida
E do meio para o fim
Começamos a cuidar da morte
Pois aprendemos cedo a temer a vida
Uma taça que se quebra
Se nenhum cristal fino
Muda a qualidade do vinho
Qual será a hora, Clarice
De brindarmos à mudança?
Por mais tempo de esperança
Onde e quando reencontraremos
Aquele ser diáfano
Que não queríamos perdido?
Insisto no infinitivo gerundiando o passado
Apesar do verbo ser
Presente aqui na terra
Toda história se repete
Toda palavra se engasga
Na originalidade
Não há sintaxe que não seja mórbida
Quando plagia a realidade
Nada do que se diz vale então a pena
Que extirpada da ave
Escreve sobre asas, vôos
Liberdade
Quem consegue ser livre, Clarice?
Somos eternos prisioneiros do mundo que tentamos mudar
Só pra sentir que na vida se viveu
E do fim para o começo
Mediamos a morte
Sidnei Olivio
Comente: :: enviado por SIDNEI OLÍVIO - 9:38 AM
Sábado, Janeiro 19, 2008
CARNE VIVA
*Affonso Romano de Sant'Anna
Hipocritamente durmo na madrugada enquanto bois são abatidos nos
frigoríficos da manhã.
Durmo hipocritamente sem ver o sangue que escorre pelas calhas da noite e
começam a subir, ondeando, pelos pés de minha cama. Durmo sem ver o olhar do
boi no matadouro. O olhar. O berro. A morte.
Tapo os ouvidos, mas os grunhidos dos porcos rasgam o pêlo da noite. O
sangue espirra do curral da madrugada e homens ávidos vão desenrolando as
tripas da fera, que estrebucha, para convertê-las em linguiça que hipócrita
e porcamente me serão servidas.
Uma vez contaram-me como se matam gansos na França. Os bois, a gente pode
pensar, levam aquela pancada súbita na cabeça e desmontam sua carcassa no
ladrilho. Mas os gansos são cevados, como se cevam os frangos. Os frangos
sabem que vão morrer nos campos de concentração vigiados pela SS dos
frigoríficos. Mas os gansos conhecem o martirológio dos santos e
penitentes.
Começam a engordá-los.Ou, pior: cevá-los forçadamente. Os frangos, sabemos,
são alimentados também artificiosamente; deixam aquelas luzes acesas noite
e dia, e eles comendo, bicando, comendo, bicando os segundos, bicando os
minutos numa engorda rápida e lucrosa.
Mas os gansos são agarrados à força. E então começa-se, por um funil, a
socar para dentro deles a ração. Um funil ou moedor para que a comida já vá
direta para dentro, chegue mais rapidamente ao fígado que, em forma de
patê, colocarei em minha mesa no fim de semana na casa de campo. Mas não é
sobre gansos que estou escrevendo especificametne e sim sobre a carne que
para mim se prepara na escuridão hipócrita de minha fome.
Na infância todo mundo (pelo menos no interior e antigamente) havia sempre
uma galinha que alguém começou a matar na cozinha. E foi cortar o pescoço
dela, tendo asas presas sob os pés contra o ladrilho, e, de repente ela se
soltou. Se soltou e saiu com o pescoço pendurado jogando sangue pelas
paredes até expirar no degrau para o quintal.
Há quem vá aos restaurantes especializados em peixes, porque quer ver o
peixe vivo, o peixe que vai escolher no aquário. E aponta-lhe o dedo, "quero
aquele ali", e se senta à mesa, enquanto na cozinha jogam lagostas vivas na
água fervente e a champanha espuma sua indiferença na taça dos ricos.
Carne deveria dar em árvore.
Mas um dia me mostraram uma árvore que sangra. Meu caseiro espetava-lhe um
prego, arame ou qualquer instrumento torturante, e lá vinha aquela gota
vermelha. Não faz muito descobriram que os vegetais também são seres
humanos. Já ouviram tomate chorar e laranjas terem vertigens quando
colheram uma ao lado da outra na lãmina da morte.
E a esta hora estão pegando leitõezinhos que, assados, ainda ganham sobre o
nariz uma rodela de laranja, e aqui e ali azeitonas e outros adereços. E
hipocritamente me assento numa churrascaria. Bebo um chope junto com a
caipirinha e peço voluptuosamente uma picanha. Por que não, um churrasco
completo? Sim, aceito. E lá vêm os cadáveres eufóricos, correndo para o meu
prato: tomo a faca, empunho o garfo como um guerreiro tártaro. E como, E
como. E rumino. E mastigo. E gosto. O sangue da vítima vai se misturando ao
meu civilizadamente. Barbaramente.
O pior antropófago é o que tem remorsos de sobremesa.
*Affonso Romano de Sant'Anna
Hipocritamente durmo na madrugada enquanto bois são abatidos nos
frigoríficos da manhã.
Durmo hipocritamente sem ver o sangue que escorre pelas calhas da noite e
começam a subir, ondeando, pelos pés de minha cama. Durmo sem ver o olhar do
boi no matadouro. O olhar. O berro. A morte.
Tapo os ouvidos, mas os grunhidos dos porcos rasgam o pêlo da noite. O
sangue espirra do curral da madrugada e homens ávidos vão desenrolando as
tripas da fera, que estrebucha, para convertê-las em linguiça que hipócrita
e porcamente me serão servidas.
Uma vez contaram-me como se matam gansos na França. Os bois, a gente pode
pensar, levam aquela pancada súbita na cabeça e desmontam sua carcassa no
ladrilho. Mas os gansos são cevados, como se cevam os frangos. Os frangos
sabem que vão morrer nos campos de concentração vigiados pela SS dos
frigoríficos. Mas os gansos conhecem o martirológio dos santos e
penitentes.
Começam a engordá-los.Ou, pior: cevá-los forçadamente. Os frangos, sabemos,
são alimentados também artificiosamente; deixam aquelas luzes acesas noite
e dia, e eles comendo, bicando, comendo, bicando os segundos, bicando os
minutos numa engorda rápida e lucrosa.
Mas os gansos são agarrados à força. E então começa-se, por um funil, a
socar para dentro deles a ração. Um funil ou moedor para que a comida já vá
direta para dentro, chegue mais rapidamente ao fígado que, em forma de
patê, colocarei em minha mesa no fim de semana na casa de campo. Mas não é
sobre gansos que estou escrevendo especificametne e sim sobre a carne que
para mim se prepara na escuridão hipócrita de minha fome.
Na infância todo mundo (pelo menos no interior e antigamente) havia sempre
uma galinha que alguém começou a matar na cozinha. E foi cortar o pescoço
dela, tendo asas presas sob os pés contra o ladrilho, e, de repente ela se
soltou. Se soltou e saiu com o pescoço pendurado jogando sangue pelas
paredes até expirar no degrau para o quintal.
Há quem vá aos restaurantes especializados em peixes, porque quer ver o
peixe vivo, o peixe que vai escolher no aquário. E aponta-lhe o dedo, "quero
aquele ali", e se senta à mesa, enquanto na cozinha jogam lagostas vivas na
água fervente e a champanha espuma sua indiferença na taça dos ricos.
Carne deveria dar em árvore.
Mas um dia me mostraram uma árvore que sangra. Meu caseiro espetava-lhe um
prego, arame ou qualquer instrumento torturante, e lá vinha aquela gota
vermelha. Não faz muito descobriram que os vegetais também são seres
humanos. Já ouviram tomate chorar e laranjas terem vertigens quando
colheram uma ao lado da outra na lãmina da morte.
E a esta hora estão pegando leitõezinhos que, assados, ainda ganham sobre o
nariz uma rodela de laranja, e aqui e ali azeitonas e outros adereços. E
hipocritamente me assento numa churrascaria. Bebo um chope junto com a
caipirinha e peço voluptuosamente uma picanha. Por que não, um churrasco
completo? Sim, aceito. E lá vêm os cadáveres eufóricos, correndo para o meu
prato: tomo a faca, empunho o garfo como um guerreiro tártaro. E como, E
como. E rumino. E mastigo. E gosto. O sangue da vítima vai se misturando ao
meu civilizadamente. Barbaramente.
O pior antropófago é o que tem remorsos de sobremesa.
Comente: :: enviado por SIDNEI OLÍVIO - 7:12 AM
Quarta-feira, Janeiro 16, 2008
A terceira via
O dia nasceu pálido e molhado num solstício imprevisível e me prende, pretensamente, vítima inconteste de um dilúvio improvável.
Abro o jornal e o horóscopo cedo me reprime. Imputa-me uma cruz que não carrego. Empurra-me a uma direção que não vislumbro.
Impertinência dos astros – me diz – que ora desconjugados favoreceram a inusitada maré.
Dois caminhos trazem, então, a corrente (a vertente dualidade): aportar o barco no cais da espera ou enfrentar a ira de netuno.
Na dúvida, resgato o asceta (profeta do próprio destino) e me determino: tomo do jornal a folha do zodíaco impresso e,
no repouso do origami, forjo um barco e o arremesso na enxurrada. A chuva passou... A madrugada... Brilha agora o sol, exageradamente.
sidnei olivio
Comente: :: enviado por SIDNEI OLÍVIO - 2:09 PM
Segunda-feira, Janeiro 14, 2008
VIVA!
vem da água
a vida prima
vem do vento
vendaval
e da vida descortina
a transparência
do arrebol
vem da vida
o ventre verde
vem da água
vem do sol
e da água contamina
a essência
do primal
sidnei olivio
Comente: :: enviado por SIDNEI OLÍVIO - 11:14 AM
Segunda-feira, Dezembro 03, 2007
o peixe
o peixe nada as águas
entre eiras e beiras
afunda e emerge
as águas fundas, turvas, frias
do seu mundo liqüefeito
do seu elementum
do seu habitat e vício
um peixe feito um míssil
um signo, um mito
nada entre algas e alvas sombras
reticentes...
um peixe sobrevivente
(objeto de estudo)
um peixe de água e osso
um peixe mudo: um ente mutável
suplantando a lama, a lida, o lodo
mais liso que o limo, o peixe
se esvai:
simétrico, quase lúcido
(quase lúdico o peixe no aquário!)
rasgando o leito feito gumes
de uma lâmina de escamas
um peixe cheio de gana
que se seduz, se reproduz
e debrota
na biologia muda
onde o peixe
brota –
(o verbo úmido
que se torna poesia!)
sidnei olivio
Comente: :: enviado por SIDNEI OLÍVIO - 2:44 PM
Sexta-feira, Novembro 30, 2007
ESPOCAM LUZES MULTICORES
PRISMA DE UM FOGUETE
PRESTES A SUBIR
LA TOUR TRANSCENDE A HISTÓRIA
E ORBITA A MEMÓRIA
DOS CAFÉS DE PARIS
Foto: Luis Henrique Z. Branco
Texto: Sidnei Olivio
Comente: :: enviado por SIDNEI OLÍVIO - 7:55 AM




